este tempo que me toma

 

Transfigurou-me o tempo, me abandono.
Fiquei do outro lado das despedidas
Com tanto silêncio, já me chega o sono
Trago gestos e palavras repetidas.
Goteja o orvalho é já madrugada
E eu indiferente à minha vontade
Trago da vida, a esperança estilhaçada
Sou no tempo a comoção da saudade.

Trago a fronte a latejar
Palavras me saem imprecisas
Este tempo me toma, e eu a deixar
Minhas raivas, em lentidão, indecisas.
Se ando fora do tempo é ousadia
Suspiro p'lo sol que me foge!
Vivo de sonhos e utopia
E peço ao dia que não me deixe por hoje.

Largo meu coração aos ventos
Palavras se estatelam no chão
Borbulham na minha cabeça pensamentos
E insistem as batidas do coração.
E assim, estala de novo em mim a vida
Um tesouro em silêncio abandonado
Como se voltasse ao ponto de partida
Ao final deste caminho traçado.

natalia nuno

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Comentários

  • Obrigada Margarida, o tema meu predilecto é a saudade, e por vezes surge também um ou outro poema sobre o amor... a vida passa e ficam as lembranças... Um grande beijinho para ti.

  • OURO PEAPAZ

    Versos profundos no tema especificado. Muito belo poema Natalia.

  • Obrigada querida Sílvia, boa noite para ti um beijinho.Smile.gif

  • DIAMANTE PEAPAZ

    Forte inspiração... e bela!

    Parabéns e Felicidades!

    Beijossssssssssssss

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