Não é mais que um breve adeus

NÃO É MAIS QUE UM BREVE ADEUS, BEM CEDO JUNTO AO FOGO TORNAREMOS A NOS VER
EVILAZIO RIBEIRO - Bacharel em Direito


Lembrando meus estudos em Parnaíba no meu estado do Piauí, lembrei de uma canção entre os escoteiros, geralmente cantada ao final dos acampamentos e reuniões, que diz em seu estribilho: “Não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus, bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver”.


Ao lembrar que me despedirei, no próximo dia 06/08/2011 da Faculdade Farias Brito, onde cheguei em 2006, posso lembrar a mesma música e dizer da grande satisfação de ter convivido com tantos colegas, alunos como eu, professores que se fizeram amigos, funcionários, dos quais sempre respeitei e admirei... Com as minhas experiências de estudante de Direito e a discussão sobre ensino jurídico com professores e colegas, verifiquei sempre duas posições antagônicas: de um lado, professores que não acreditam na possibilidade de influenciar os alunos, nem mesmo por meio de metodologias de ensino ativas e contextualizadas. Eles dizem que a maioria dos alunos são “desatentos ou hostis”, comparecem às aulas apenas para cumprir o percentual mínimo de presenças. De outro lado, há os professores que se agarram à idéia de construir uma nova relação com os alunos, mais profícua, mais proveitosa para ambos. Tenho histórias vivenciadas ao longo de vários anos na Faculdade Farias Brito contextualizando, encontramos a mesma divisão entre os colegas alunos: aqueles que abraçam o modelo de ensino, participando ativamente de todas as iniciativas e projetos acadêmicos e aqueles que se recusam a ter qualquer envolvimento, preferindo as aulas expositivas, as apostilas elaboradas e a postura passiva.


Também podem ser encontrados, em número bem menor, professores e alunos que fazem franca oposição às inovações pedagógicas, agarrando-se aos modelos tradicionais de ensino, exigindo a manutenção do status quo. Nenhuma novidade! A questão, entretanto, deve ser enfrentada sem desprezar nenhuma das contribuições. Um esforço de compreensão das razões que orientam os professores e alunos resistentes, quando o mundo está evidentemente a clamar uma postura mais solidária e efetiva já é um bom começo. Uma das explicações é o medo da mudança, questão filosófica.


Em meu dia de executivo um dos meus grandes objetivos é justamente desenvolver o espírito empreendedor nos colaboradores, que consiste em abandonar o conforto da situação conhecida e experimentada, para ousar em espaços selvagens, não desbravados buscando novos mercados.


Além do medo da mudança, a indiferença, a falta de solidariedade, quase naturais numa sociedade inamistosa e altamente gregária, bem separada entre incluídos e excluídos, pobres e ricos, educados e analfabetos, o pouco caso governamental, é outro ponto de combate.


A articulação da sociedade em torno dos temas que lhe são fundamentais é, historicamente, a mola mestra de toda a transformação, embora a apatia seja a regra. Uma apatia que nasce do desinteresse pelos problemas do outro. É a falta de cuidado, o desinteresse pelo destino do homem como ser histórico e co-dependente.


Bobbio discutindo A República referiu: "Diga-me onde há um Estado que se sustente sobre a virtude dos cidadãos, um Estado que não recorra à força! A definição recorrente de Estado é aquela segundo a qual o Estado é o detentor do monopólio da força legítima, força necessária porque a maior parte dos cidadãos não é virtuosa, mas viciosa." Mais tarde, complementa o raciocínio dizendo: "Falar em virtude civil é importante para fazer oposição à indiferença e à apatia que infelizmente hoje predominam em nosso país." Bobbio está se referindo à situação do seu tempo, mas a sentença cabe perfeitamente para o Brasil: a indiferença é que impede ações sistemáticas de combates às graves ofensas que diariamente são perpetradas contra a dignidade do país como corrupção descaso com o ente público.


Cabe às universidades aprofundar o debate, mas o ensino do Direito é que apresenta solo fértil para alargar a compreensão dos estudantes sobre o importante papel que devem desempenhar para mudar esse quadro, escolhendo alguns caminhos para vencer a apatia.


Conheci e convivi com amizades firmes e duradouras e as levo dentro da mochila pela vida nômade que assumi desde quando sai da minha cidade natal (Parnaíba como bom nordestino há muitos anos atrás), para São Paulo onde completei meus estudos e apreendi a enfrentar a vida.


Tive convívios fraternos maiores com mestres que possa a exemplificar na figura de Genuíno conhecido já do meu tempo de estudante em Parnaíba, que foi, é e será um grande exemplo que poderá contar com minha voz elogiando-o pela vida afora, por sua Humildade, Simplicidade e Competência.


Não é mais que um breve adeus porque a Faculdade, através de seus diretores, (Tales de Sá, Roberto Martins Rodrigues, Cecília Lobo, Helena Stela Sampaio e tantos outros) professores e coordenadores, tais como, o professor Rodrigo, (o constitucionalista), Matias,(poeta do direito empresarial), Negreiros, (saber e simplicidade), Ernando Uchoa, (o direito penal fica gravado para não mais ser esquecido) do Eduardo Pragmacio (meu mestre que conheci ainda adolecente) Willis, Samuel Arruda Carlos Eduardo; as professoras, (Me e Dra) Juliana, Rena, Raquel, Talita, Zenair, Lidia, Helena Cinthia e de outros tantos, sem me esquecer das funcionárias Elizângela, Rosane, Isilda, Osineide e Lorena... Colegas como Barros Pinho, Gilson, Tenilcia, Monaliza, Lucinilda, Roberto, Emanuel Linhares, Aline , Cesar Lucena, Solange, que aqui ao citar abraços todos os alunos com as quais convivi, que, sempre que possível, voltarei à encontrá-los.


Bem cedo junto ao fogo (acampamento dos escoteiros) tornaremos a nos ver e, por esta mesma razão, este meu gesto não envolve despedida. Não irei apertar a mão, nem dizer coisa alguma, porém, sempre estarei presente e atento ao necessário e, além disso, todos podem continuar contando comigo onde estiver e dentro da imprevisibilidade da vida. Adaptado à virtualidade, adepto do nomadismo e do tele-trabalho, percebo que o tempo ainda reserva muito de criatividade para quem se adequa ao mundo das expertises, uma espécie de grupo dentro da distribuição do trabalho neste início de século XXI.


O fogo que nos aqueceu nesses anos, reflexo de uma amizade que é característica da casa, continuará aceso. A Faculdade marcha e, em sua passagem, transforma jovens e maduros alunos com eu.


Agradeço a Deus as oportunidades que tive e desejo a todos muita felicidade!

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