DIAMANTE PEAPAZ

O grito

Com inspiração na violência que se espraia pelas ruas da Cidade Maravilhosa.
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8252648494?profile=RESIZE_584xO grito

A noite dissemina amargura no pensamento errante. Rua gigante apequena-se, intimidada pela incógnita que presume no ar. Um minuto passa... depois outro e mais outro... De repente, um órfão do Amor irrompe na calçada que transpira pânico. Com máscara protetora pendente em pescoço suado, a fera urra palavrões. Calor sem camisa. Canivete preso à cintura. Atrás dele, a sirene da Polícia. Adultos correm. Portas e janelas fecham-se. Há corpos que se jogam ao chão, por medo das balas perdidas. Esgueiram-se os gatos na sarjeta. Latidos fogem com os rabos escondidos entre as patas traseiras. E o monstro avança. Nas mãos, pedras e pedradas. Olhar de ódio e perdição nos olhos drogados. Ameaça. Bravura infiel de pecado ambulante.

Procura o quê ou a quem procura?
Que mãos poderosas conseguirão evitar
as ações impiedosas desse filho do nada?

Um carro passa e acelera o passo. Desgraça certa. E havia a criança sozinha no asfalto da fome. Calada e jururu.

- “Saia da frente, arrombado!” - vocifera a indiferença cruel do meliante.

A criança assustada movimenta os pezinhos de lá para cá, sem saber para onde ir. Tímida e medrosa, atrapalha ainda mais o caminho da violência, que, sem dó nem piedade, interdita-lhe de vez o futuro. Pedrada na têmpora.

Um grito. Dor lancinante. O luar estremece.

Como pode a flor da Primavera
orvalhar tanto sangue?
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- “Depois que pariu, minha mãe me enrolou num trapo velho e me deixou na caçamba de lixo que ficava do outro lado da rua. Quem viu contou. O safado que me tirou daquela sujeira me fez de mulherzinha dos 6 aos 11 anos. Apanhava e sangrava todos os dias.” – conta o malfeitor, ao ser capturado.

- “Cresci e fugi. Andei largado pelas ruas da Zona Sul do Rio de Janeiro e passei fome e frio, mas, escolhi ser homem.” – bate no peito aprumado.

Escolheu ser homem... um homem desencantado com a vida.

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 30 de novembro de 2020 – 18h
Obra: “O Grito” - Edvard Munch

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Comentários

  • Quantas "caixas pretas" perambulam pela senda do crime, cujo terrível conteúdo na maioria das vezes não será conhecido, mesmo após o desastre. Um texto contundente e que faz refletir.  

    • DIAMANTE PEAPAZ

      Comentário reflexivo. Muito obrigada pelo carinho da leitura. Beijosssssssss

  • OURO PEAPAZ

    Muito triste e real e infelizmente não só na cidade maravilhosa. Conteve minha atenção.

    • DIAMANTE PEAPAZ

      Agradeço-te a leitura e o atencioso comentário. Beijossssssssssss

  • OURO PEAPAZ

    Triste e verdadeiro, texto escrito com maestria,

    meus parabéns querida amiga Silvia Mota.

    Beijos

    • DIAMANTE PEAPAZ

      Agradeço-te a leitura e o gentil comentário. Beijossssssssssss

  • BRONZE PEAPAZ

    8283051456?profile=RESIZE_930x

    Penso que agora .......ESTÁ ..PERFEITA!!! rsrs kkkkk

    GOSTAS SILVIA!!!?????... eu sim!!!

    beijos de poesiaaaaaaaaaa

    chantal

    • DIAMANTE PEAPAZ

      Uauuuuu! Adorei! Concede-me permissão para usar tão bela arte?

    • BRONZE PEAPAZ

      Ó minha querida Mestra ...........claaaaaaro que sim!! MUITO FELIZ QUE TENHAS GOSTADO 8283651882?profile=RESIZE_584x.

      foste tu, querida Silvia, que me deste o link....  Bem depois eu descobri pequenos truques para mudar a cor e etc etc etc!!

      https://cooltext.com/

       

      beijinhos e mil abraços

      chantal

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  • Que belo *e triste mas bem verdadeiro Gostei è uma história de vida  da vida de todos os dias de quem não tem de escolher caminhos Porque o caminho a vida o traçou não há outro é o que estava escrito onde? na própria vida   parabéns Silvia pelo grito  E há tantos gritos na vida que ninguém escuta  beijosssssssssssss

     

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