SAUDADES SÃO HERAS

 

 

abro as gavetas às escondidas e meus dedos leves
dedilham memórias, e enternecida recolho palavras
debaixo da língua cheias de saudades de tudo que só
eu sei... saudades tão grandes que não cabem no peito,
respiro fundo e sinto o coração a bater, cada lembrança
faz ninho em meus olhos e cura-me da solidão... vim
voando desde a Primavera, até que o Inverno me tocou,
e poisei no chão da desilusão, morreu-me o tempo dos
sonhos, despi-me de papoilas, vesti violetas, esfacelei
o riso e agasalhei a saudade que é na verdade, a giesta
que desembacia a poeira do meu dia...

EM - ESTREMECIMENTOS DE ALMA - NATÁLIA CANAIS NUNO - EDIÇÕES VIEIRA DA SILVA

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