BALADA* DAS VOZES DO VENTO

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1 Há no céu novamente nuvens negras sobre a serenidade,
as primaveras se foram como se obedecendo uma só lei.
Logo árvores frondosas ver-se-ão curvadas, então ouvirei,
tão altissonantes as vozes sonantes do vento na eternidade.
Caindo ao solo as folhas antes verdes forrarão a herdade,
em mim apenas estará a tristeza profunda, sem esperança,
todo aquele ouro do entardecer já não reluz qual a faiança.
Serão tal densa alcatifa de nuvens, anteparo tão robusto,
as vozes do vento que ora falam dos momentos de susto,
em vermelho intenso e azul marcam trazendo logo à vista,
a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista.

12 Serão lembranças restantes de antigos sonhos d'ouro,
essas vozes do vento cobram um preço, dizem da nostalgia,
dizem de um tempo que no olhar se encontrava a alegria,
dos tempos idos sem mais uma primavera e verão vindouro,
falam ágeis os ventos das vozes da dúvida no nascedouro.
Foram tantos momentos maravilhosos em jardins floridos,
na possibilidade que renasçam fortes sentimentos já idos;
mas se ativeram mudas as vozes sobre a eventual renovação,
mais uma vez o resplendor da primavera firmar a estação,
em vermelho intenso e azul marcam trazendo logo a vista,
a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista

23 Ficaram nas vozes agora roucas do vento ao bel sabor,
gemendo os ensejos vorazes tais famélicos da vontade,
devorando afoitas a ventura sem laivos de menor piedade,
calando os sorrisos do coração doce numa noite de amor.
As vozes se avultam sobrepõem-se a tudo, furtam a cor,
será não mais que apenas um sonho uma outra primavera,
jamais outra vez uma luz brilhará na alma viva como era.
Não posso mesmo estar feliz ouvindo os sons alarmantes,
ensurdecendo o amor que floresceu por poucos instantes,
em vermelho intenso e azul, marcas trazendo logo a vista,
a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista

34 Vozes do vento... Elas dizem que não haverá retorno,
nem sequer uma pausa para sorver esse vinho tão amaro,
ante as antigas e distantes visões de um jardim tão raro.
Vozes do vento... Espalham pétalas de tristeza tal adorno,
jaezes da tristeza que chegou, a incertezas, o transtorno;
o calor estará sempre longe da alma fria, será arrebatado,
a tempestade mina, deixa o íntimo do ser mais preocupado.
Sempre na vida estarão presentes essas vozes invisíveis,
lembrando que os sonhos e as esperanças são perecíveis,
em vermelho intenso e azul, marcas trazendo logo à vista,
a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista.

45 Mais uma vez a chuva chorou aquela ilusão já morta,
o céu estava escuro como o aço brunido nas torturas,
o fim da tarde outonal trouxe mais uma vez as agruras.
Vozes do vento... No meu coração fecharam uma porta,
estava ansioso para que entrasse, na vida que suporta,
em sonhos, todo o amor de todos os outros momentos...
Restariam inertes rasgando a alma os gemidos aos ventos,
o modo de ser afastando a alma do caminho nebuloso.
De repente, são as vozes que atraem o frio desastroso,
em vermelho intenso e azul, marcas trazendo logo à vista,
a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista.


56. Vozes do vento... Das cinzas será chama da paixão benquista,

tornou-se desnecessário olvidar as vozes num só repente;

talvez, a bonança e a felicidade irei encontrar pela frente,

ambas em vermelho intenso e azul, marcas trazendo à vista,

a natureza gestual e confusa de uma tela expressionista.

Luiz Morais - São Paulo - Brasil
22102016


*Balada canto real com métrica livre.

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