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O OSMAR, UM SONHO OU UMA REALIDADE?


 Sonho? Realidade? Nunca saberá se foi um ou se foi outro. Tomou o café da manha na hora habitual e foi para escola, depois de dar um beijo na mãe. Não viu o pai, este saiu antes de ele acordar. Na escola tudo estava normal e perfeitamente igual e rotineiro de sempre. Leu e fez contas, usou com mestria o ábaco e desenhou os caracteres árabes de onde se podia ler um lindo conto, muito bem estruturado para sua tenra idade.

 Um príncipe montado no seu enorme camelo enfrentava uma tempestade de areia nunca antes vista e sem temer o perigo libertaria sua donzela, antes raptada por uma tribo nômada. Triunfante regressaria a sua aldeia e sorridente e magistral caminhava entre palmas e aplausos de respeito e orgulho.

Recebeu nota máxima tanto nos cálculos como na escrita. Regressou a casa, o pai ainda não tinha chegado, fez os trabalhos de casa e comeu algumas tâmaras, lembrou-se da sua redação e imaginou que as tâmaras deviam vir do oásis onde situava a aldeia do seu príncipe... E foi deitar. Deixou a mãe a bordar enquanto esperava que o pai regressasse do trabalho.

Eram gritos e sons macabros e tiros. Sentiu-se nas mãos da sua mãe e esta a correr desesperadamente.  Quis descer e aliviar a mãe do peso, mas esta lhe apertava no peito e corria, corria desesperadamente e ignorava os gestos do Osmar.

Corria desesperadamente quando foi atingida, uma, duas vezes e continuou a correr, seria por inércia? Seria pelo amor materno de salvar o filho? Sentia cada vez mais fraca, mas continuava a correr até o último folego e estava na praia. Ela caiu na área sem vida, mas o Osmar, seu filho, este foi projetado para dentro do barco e se pôs a pressa ao largo.

Pouco depois o Osmar, cheio de sono, adormeceu entre milhares que com ele estavam no barco e continuou a sonhar.

O barco levava quase triplo de peso que foi imaginado no momento da sua construção. Foi-se afastando da costa lentamente e lentamente se afundava nas águas e o Osmar a sonhar.

Sonhou que uma onda se transformou em mulher, uma linda mulher toda vestida de azul marinho. Aquela linda mulher parecia com a sua mãe em tudo, menos em altura e tamanho, ela era enorme e as pernas e os pés, pareciam serem partes da onde que a formou.  A mãe que deixou morta na areia de onde o barco partiu rumo à incerteza e à morte... Sentiu-se carregado e transportado para...

 Foi encontrado numa praia Europeia sozinho, molhado, esfomeado e desidratado. Foi o único sobrevivente de um naufrágio. Jamais se soube quantos foram os mortos, recolherem centenas, mas não havia registo que comprovasse o total.

O Osmar continua a não saber se foi um sonho ou se foi uma realidade. Sabia que a mãe lhe salvou e é o que continuava a afirmar, embora poucos acreditassem nele.  

FIM

João Pereira Correia Furtado

http://joaopcfurtado.blogspot.com

Praia, 07 de Junho de 2016

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