O QUINTAL DA AVÓ GRACINDA

ERA UMA VEZ...A avó Gracinda. já tem uma certa idade, vive no meio da aldeia e tem umafigueira no quintal velhinha, mais velha ainda que a avó Gracinda, é verdade...Quando se sente só, desabafa com a sua árvore que sempre lhe fez companhia,ainda era bem criança, já a figueira dava bons figos que a menina comia, com prazer,sentada num ramo baixinho.Tanta companhia me dásE são tão bons os teus figosJá se foram meus amigosMas tu, sempre por aquiestás...No verão teus frutos colhoNo Inverno choras comigoQuando em casa me recolhoDa janela falo contigo...E assim passa os dias, falando com a velhafigueira, recordando a roda que fazia com as suas amigasali bem pertinho dela.E então recorda...Aqui vai o lençoAqui fica o lençoAi...como era bom ser pequenina!Muito feliz e ladinaHoje quando nisto pensoMe dá uma saudade!Ah...é verdade, e também o jogo da malha,lembras-te figueira?Havia a NINA. sempre à minha beira.A NINA... a cadela de branco e preto malhada?!Deus me valha!Não a quero esquecer, por nada.Tanta flor mo quintal haviaE borboletas a esvoaçar!E o galo que ao romper do diadesatava a cantar?!Logo as galinhas alvoroçadasComeçavam a cacarejarE eu tão pequenina sabiaQue eram horas de levantar.E até tu figueirinha amigatanto cresceste...Passas acima do telhado!Também tu não esquecesteEsse nosso tempo encantado.Hoje somos só tu e euCompanheiras e amigasTu vives sonhando atingir o CéuMesmo que nada me digasEu sei que estás aí!Pra me ajudar a recordarTudo o que vivi.E todos os dias a avó Gracinda canta as cantigas quesabe de miúda... Aquela ...do Indo eu. indo eu a caminho de Viseu, ou aquela outra, olha a mala, olha a mala, olha a malinha de mão...etc. e a figueirinha, sempre atenta, lá vai recordando tempo que passou há muito. Naquela aldeia nada mudou, mas já há muita falta dos sorrisos e brincadeiras das crianças, e por isso está um pouco mais triste.rosafogonatalia nuno

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