Posts de Fátima Mota (55)

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Mesmice

Tudo tão igual

essa vontade

de desamarrar o tempo 

e desvencilhar o vento.

 

Tudo tão banal

esse desejo de permanência

que a tua ausência me traz.

 

Tudo tão real

esse grito que permanece

entre a garganta e o diafragma

arranhando a palavra.

 

Tudo.. tudo tão real

cotidianamente

do mesmo jeito

sempre!

 

 

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LACUNAS

E quando a palavra já não mais cabia
o silêncio
ganhava o dia

_ a vida se preenchia dos não saberes.

No caderno, uma pauta à espera
da quietude preenchida.

Mas o silêncio se abancou e preencheu todas as páginas.
Um não-lugar que me apetecia

_ um não saber que me trespassava de perguntas.

@Fátima Mota

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Dádivas

 

Quando nasci me foram dados dons

Não sei se a contento os usei

Ou se descontinuei tudo que eu aprendi.

Desaprender para mim, é poesia

Tudo saber, é pura heresia.

 

Às vezes, me espanto, com os meus dessaberes

Com os meus desacertos

E tantos recomeços.

Sou um ser de interrogações.

 

E se, desatento, esqueço

De pulverizar minhas certezas

Me faço cobranças e exigências.

Não me reconheço.

Um estranho anônimo, mora em mim.

Ou seria um João, um Antônio

Um alado Serafim?

Tem dias que   alcanço minhas asas

E voo, sem acaso

Serafim alado.

Sigo e...

Para onde flores

Espalho  todos os dons que me foram dados.

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23 h ·
Sagrado

As paredes amareladas
_pelo tempo
se banham de um dourado
_de um sol que se esconde
Há um quê de mistério no ar
Há um tanto de solidão
que salta ao olhar mais aguçado.
O sagrado está no ar
atrás dessa porta o divino nos espera
Lá no horizonte o sagrado acontece.

Somos meros expectadores  da vida.

FMota
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Cobiça

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Cobiça

 

Eu quero o doce sagrado dos altares

A céu aberto

Fé que eleva

Fé que ousa e  anima.

 

Eu quero o delicado sagrado da beleza

Estética da humanidade

Sem doutrinas

Sem definições ou pre_conceitos.

 

Eu ambiciono   o sal da terra

O santificado do dia

E no final

O  cruzeiro do sul me apontando a vida.

 

Eu cobiço uma aragem norte

Abraçando meus impulsos

Enquanto as árvores se balançam

E ninam a minha poesia.

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A palavra

A palavra é como um fio
nylon corta feito aço .


A palavra é como laço
enfeita abraços agasalhando a saudade.


Na mesma taça
letras, dia, vida
morte, dor, alegria!
Tessituras de linhas que costuram
o tempo da delicadeza
tempos de dores
que nos traz a esperança.

A palavra às vezes indizível
às vezes ininteligível
outras, claro alívio, bálsamo
cura nossas feridas.

A palavra bem dita é remédio.


Fátima Mota

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Esperança

E quando a noite vem
a lua esparsa nossos pensamentos
brilha no céu uma saudade
do luar atrás da serra
e das conversas ao pé da calçada.

Quando a noite vem
no concreto urbano
as sombras se definem
e o medo nos assalta em cada esquina.

Antes que a estrela se dilua com a luz do dia
careço-me de abastecer as lembranças.
Valho-me do poema
e da imagem tatuada nas retinas.

E tudo fica mais sereno.

Sei que a fé anda de mãos dadas

- com a esperança.

Então a noite já não parece tão
assustadora.

Fátima Mota

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Dessaber

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Hoje eu vi uma borboleta

descansando numa pedra

a beleza tinha forma

era uma borboleta alada.

 

Hoje eu vi uma pedra

ela estava lá

uma pedra e uma borboleta

Ninguém as via.

E  tinha tanta poesia!

 

Hoje eu vi um colibri

colhendo   pólen .

Tocava o vento com suas asas.

Me colibri de encarnado!

Ninguém parou para olhar o colibri.

 

Hoje eu vi um homem

passos apressados.

Tinha cifras nos olhos

e nenhum tempo para gastar.

 

Ele achava que sabia tudo.

 

Hoje o meu dessaber aumentou

fiquei sem palavras.

 

Acho que o homem desaprendeu o amor.

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Minha melhor fantasia: ser mulher

A todas as mulheres que, anjos ou demônios, santas ou impuras, driblaram as incertezas e fizeram a sua história.



Quis ser esposa, companheira
Fui amante, caliente, desertei os meus desejos
E acarinhei suavemente minha cara metade.


Quis ser mãe, serenamente
Fui amiga, adolescente.Sem pudores: fui confidente.


Quis ser profissional, alçar meus vôos, edificar minha história
Fui mulher in_dependente. Criei asas, hoje vivo a minha glória.


Passei por intempéries, fui discriminada, enfrentei preconceitos
E sem pejo, dei a volta por cima.
Nunca quis ser santa, quis ser gente
Não quis ter uma santificada_mente.


Sonhei alto, gritei aos ventos, tive arroubos, fui insolente, in_dolente
E até me recriminei em dado momento.


Fui rechaço, saco de pancadas. Senti medo!
Fiz a minha história à base de muitos vendavais.
Despertei o bem e o mal,
Fui alquimia, fui fantasia,
Fui desejo e sobejo
Soçobrei em mares bravios.

Sereia, soberana, fui sombra
Encanto e desencanto
Fui emoldurada como santa
Designada como trapaça.
Do vinho,  fui a taça de fino cristal.
Fui temerária, fui  temida,
Simulei meus medos
Coloquei ungüento nas minhas próprias feridas
Fui bálsamo e ombro amigo.


Fui sândalo, fui sexo
Fui inverso, às vezes reverso
Vencedora, fui vencida.
Fui por vezes, a simbiose do pensamento machista
Esperta, me deixei levar e tramei minhas próprias verdades.
Fui Serafim, os pecados no fogo purificado,
E , como anjo, em harmonioso cântico, levei os homens aos céus.


Não fui apenas Abel, às vezes fui Caim.
Fui  cruel, toquei em dores com jasmins.
Fui serviçal, simplória, fui fatal.
Fui mistério, desvendado pelos teus dedos,
Bruxa, desvendei todos os teus segredos.
Sedutora, silabei  amor em puros ouvidos.
Fui  o canto das madrugadas , solfejei nas serenatas.
Do poeta fui o verso mais dorido.
Padeci na iniqüidade
Simulei minha própria dor.
Fui anjo e demônio, eu sei!
De tu, o rei, quis apenas ser rainha
Fui mulher... Cumpri fielmente a minha sina.


Hoje, em prosa e verso, canto a glória de,
lado a lado, caminharmos em igualdade do ser.
Também ainda há controvérsias!

FATIMA MOTA

 

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Marés

No fim da tarde os cheiros se espalham
E uma espuma branca apaga as minhas pegadas
Volto e deixo na areia molhada
Os pensamentos meus
Os abraços teus.

E quando a lua chega e beija o mar
De prata a água se reveste
Entre mistério e raios
A saudade navega.

Veleja um barco a vela
Sem pressa.

Em qual ancoradouro
Na paz da solidão
O amor espera?

Segue lentamente um barco à vela...

Quanto de nós esse mar leva para outras terras!...

Fátima Mota
07/11/2015

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Viagens pra que te quero

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Em cada porto algo novo se apresenta
um cais de saudade, pedra sobre o mar
cheiro de marés que se repetem no vai e vem de brancas ondas.
O mar com seus batéis , místico em noites lunares.
Em mim, embrenha-se desejo de aventurar-se

Sobre trilhos viajo nas probabilidades
prados, paisagens, janelas para o extraordinário.
Descortinam-se as possibilidades ... comboios sempre partindo.
meu coração serpenteia e, em cada estação
se deixa ficar, resolve partir
inquieta_mente!

Do alto, as cidades parecem brinquedos
e as nuvens, desejos infantis de algodão doce,
alvas, sensoriais , inalcançáveis.
A nossa pequenez agiganta-se
Através do vidro nos debruçamos no infinito.
Somos tão efêmeros!

O escuro asfalto abocanha minhas fantasias
O velocímento marca quilômetros .
Quais caminhos nos levarão ao destino?
As curvas sinuosas abraçam a paisagem
e meus olhos vagam desassossegados.
Esta mesma estrada foi percorrida tantas vezes.
Somos meros viajantes.

Em cada canto apalpo a cultura
guardo o encanto
por esse Brasil afora.

Fátima Mota
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Um mundo diferente

Nas minhas mãos ...

Desenhei meu mundo assim:
um grande coração
abrigo de amor e paz
lugar onde as pessoas
deitam suas esperanças
e os abraços fazem suaves cócegas.
Castelo amarelo
sem muro, sem trava
sem trinco, sem lágrima
na beira da estrada
riacho cristalino
banhado de flores.
Uma casa alegria
de portas abertas
cortinas, janelas
e  girassóis
_ girando sempre ao redor do sol.
Uma casa sorvete
com cobertura de chocolate meio amargo
- Adoooooro!
E confetes coloridos, muitos confetes
- te todas as cores.
O  meu mundo seria uma imensa biblioteca
- Enooooormeeee!
E as pessoas iriam morar nos livros
- seriam livros casas
livros asas
livros palavras
livros fantasia.
O mundo em minhas mãos teria
peixes palhaços
_ alaranjados,
cachorros e pássaros.
Muitos pássaros _poemas.
E o mundo seria abraçado por muitas mãos:
brancas, amarelas, pretas e vermelhas.
E aí já não seria apenas o mundo em minhas mãos.
Fátima Mota
 
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CAIS DE PEDRA

Quero a noite densa
para acolher meus  pensamentos
com todas as suas cláusulas
e contratempos.
Quero  a suave brisa
Nesse abraço liso
Cheio de chegadas
E saudade re_partidas.
Quero um rio_mar
Doce ou salgado
Anistia  de lágrimas e risos. 
Quero um anjo alado
Caído no meu quintal
Um anjo vassalo
Que me encontre desavisada
- só por essa vez-
um anjo só meu.
Quero um porto sem navio
Onde escrevo nas paredes
Um poema concreto
- sem meio ou fim_
poema de cais de pedra.
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Tantas palavras.

Paro no verbo repetido
eco do que sou
do que pronuncio
das minhas esperanças
insistências...

Transgressões de mim.

Poetizo meus versos
incondicionalmente
registros repetidos,
adulterados,
apagados .

Encontro vocábulos de todas as cores,
jeitos e sabores.
Descubro os que arranham,
repertório das minhas incoerências.

Me sustento na leveza
das palavras que acalantam.

Reviro meu baú e encontro uma coleção delas
vida, paz, alegria!
Faço minhas escolhas
e as solto ao vento,
repetidamente meu eco se faz sentir.

Mesmo que alguns ouvidos estejam surdos.

FATIMA MOTA

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O recreio da escola

Quando a sineta tocava
O pátio se coloria 
Corríamos para brincar 
Entre gritos de alegria. 

Diferentes guloseimas 
Na lancheira não faltava 
Brigadeiro e sanduiche 
Bolo, suco e goiabada. 

Pirulitos e balinhas 
De hortelã e canela
De tudo o que eu mais gostava
Dava a menina mais bela. 

Nos olhos daquela menina 
Duas estrelas anis 
Em céu de algodão doce 
Um menino era feliz.

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Matizes

Há sempre um assombro entre meus olhos.
Há sempre um espanto nos meus ouvidos.
O fim do dia me põe de joelhos.
Quedo-me e silencio.
Lá onde a vista se alonga
há uma pintura abstrata,
vermelhos e purpúreos,
claros alaranjados.
Uma mão divina caprichou nas pinceladas!
Inquietas formas e sombras,
colisão entre céu e serras
árvores e terra.
Na penumbra, verdes e cinzas se completam.
E no caminho, uma árvore solitária
finca raizes no árido chão.
Um dia contarão a sua história!
Indiferentes pássaros fazem a sua revoada,
quase noturna, quase soturna.
A natureza reverbera os seus matizes
beleza e pranto se confundem. 
Penso nos avessos do cotidiano
caminhos de pedras e  flores
recortes  e contrastes
afetos e saudade.
Não sei se a natureza chora ao despedir-se do dia.
Seria um festim da  noite para alumiar as dores
desertadas entre faces e risos?
A minh'alma reparte-se sublimando o dia.
Recolhe-se a fala e, quieta, dorme.
Imperativo calar!
Atrás dos montes um gigante  acomoda-se
logo sera noite e a lua , de fases, esconde-se.
Será que verei estrelas nos meus descaminhos?
Fátima Mota
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Figuras

Um muro branco
separa teu sonho
do meu.
É hora de mudarmos o telhado
e de derrubamos as cores,
não basta feijão na mesa
é mister esperançar a alegria


- desenharmos poesia nas paredes.

Fátima Mota.

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