Posts de Luiz Morais (109)

Classificar por

Balada dos pensamentos perdidos

 

 3542054348?profile=original


Perdida em teus pensamentos, a mente já absorta,
sobre a batalha entre o idílio e o pesadelo impuro.
trazes olhos abertos mirando o céu quase escuro,
apenas num disco diáfano jaz, a lua parece morta,
Excitam de longe confusas canções sem harmonia,
a prosseguires nos pesadelos, manteres a altivez,
entre os gritos e os ares da completa insensatez,
louvando em ti confessa a guerreira, feroz harpia. 

Nas vestes roxas avulta o contraste do carmesim,
com cuidado ingente, calcular a cada passo o revés,
prossegues medindo o espaço vazio diante dos pés,
buscando com cuidados alguma pegada no jardim.
Sem que vejas marcada a trilha do comum vezo,
talvez chores baixinho qual o fole de um acordeão,
procurando disfarçadamente a origem da inquietação 
mas displicente ajaezas o brinco fingindo desprezo.

Talvez eu veja em ti o desenvolver de jogo divertido,
ocultando os males internos que percebes injustos,
a disfarçares na aparente calma das faces os sustos,
como se deixasses o pensamento voar sem um sentido.
Tal perdida em pensamentos a tua alma progride e voa,
males que te afligem o íntimo com vigores redobrados,
é o que escondes atrás dos tristes olhos já marejados.
transpondo vales e sobrevoando o salgueiro da lagoa.

Perdida em pensamentos evitas falar... e resistes...
Talvez não existissem desertos ou a selva sombria,
e tudo ficasse bem como os alvitres da pura magia,
se o meu amor pudesse realizar teus sonhos tristes.

Luiz Morais - Brasil
Do livro " *Alma* *revisitada*"

Saiba mais…

Então, pede-me que a esqueça...

3542050590?profile=original

E então, pede-me que a esqueça,

- assim despreocupada, tão serena,

como sendo coisa que fácil aconteça

fosse um amor apenas emoção amena.

 

Nada sou, só grão de areia no deserto,

rolado, levado pelo vento inclemente;

jamais levantaria as dunas por perto,

tão insignificante que sou certamente.

 

Como íngreme penedo na falésia fincado,

também não posso conter o vigor do mar;

tácito, deixo-me então açoitar conformado,

a mim impossível seria o fragor rechaçar.

 

Poderia a cana do frágil junco conter o vento,

nas matas resistirem as frondes ao vendaval?

O mesmo Sol nasce a cada manhã com alento,

mas não resistem as folhas ao temporal.

 

E então, pede-me que a esqueça,

- assim despreocupada, tão serena,

como se ao andar aleatório dessa caleça,

dominasse também eu de forma plena.

 

Sou apenas poeira caída de uma estrela,

um nada diante do esplendor de Aldebarã,

jamais poderia sequer pensar em esquecê-la,

encantado que estou na sua magia, a liça é vã.

Do livro "Pólen de estrelas"

Luiz Morais

2017 - Brasil

 

 

Saiba mais…

Memórias de um violino entoando Sonata ao Luar

3542044528?profile=original

 

Ouço distante o violino,

o som agudo penetra o ar;

inebria-me o som cristalino,

a melodia que tento imaginar:

um solo da Sonata ao Luar.

 

Tanto sentimento na melodia,

gama de sensações que advêm;

recordações surgem como galeria,

que de ti, hoje só tenho o desdém,

persistem em mim os sentires, porém.

 

O som mavioso enche o espaço,

acima e abaixo, as notas musicais;

de carinho não acham um traço,

de minha linda que não tenho mais,

alegrias que não voltarão jamais.

 

O vigor das notas altas, de repente,

sem eco, nem vestígio, desaparece;

esvai-se  todo o som tão pungente,

e meu sorriso também ali fenece,

o peito ensaia uma tênue prece.

 

Restam-me soluços, a alma chorando,

no frio rastro da cruel melancolia,

punge a recordação do dia nefando,

quando foi "adeus" que ela me dizia,

e sorrindo partiu, só sorrindo ela ia.

31012017

Luiz Morais

do livro " Alma revisitada"

em preparo

Saiba mais…

Manias à maneira antiga

 3542041880?profile=original

 

Sim, eu me apego à maneira antiga!

Não, não é uma mania, tento viver,

este é o meu jeito, nada me obriga,

a ponta da faca não impede que prossiga,

sei que sempre haverá um amanhecer,

e um pássaro com a alegre cantiga.

 

Poderia ser indiferente, até insensível,

não ver nuvens formarem um novelo,

ornando de branco o céu claro visível;

desprezando qualquer afável som audível,

sentindo a brisa nos cabelos em desmazelo,

como se fosse apenas fenômeno possível.

 

Manias que tecem qual teia as gentilezas,

mantêm a alma leve, sem que nada sugira,

talvez impalpáveis, mas trazendo certezas,

de que a teia tecida remeta às fortalezas,

sem fios torcendo a verdade com a mentira,

embora possam sem tentadoras  as torpezas.

15012017

Luiz Morais - Brasil

 

 

 

 

 

 

Saiba mais…

Fatuidades vendo o reflexo do arco-íris na vidraça

3542041473?profile=original

És a flor que enfeita as campinas,

joia cobiçada pelos colibris esvoaçantes.

És o riacho cantante de águas cristalinas,

marulhando no álveo de pedras cortando as colinas.

Rápida correndo vive, leda pela vida vem amar,

exulta bem sabendo que teu destino é o mar.

 

Sou o tronco velho, teimoso ainda em pé,

canhestro adorno da mansarda abandonada, 

ansioso por saber se resistirei à próxima rajada,

ao açoite inclemente de mais uma tempestade,

impotente quedado para seguir-te os passos,

a não ser acompanhar-te com o ansioso olhar.

És a folha tenra que alvissareira orna as frondes,

jactando o portento de não ceder aos caprichos do vento,

divertindo-se somente em se curvar por um momento,

para novamente alçar o cimo com renovado alento,

ganhando outra vez o mimo do prumo original.

 

Eu sou a folha morta, ressecada do sol,

a galhada torta carente da seiva vital

tônico que alimentava o distante ânimo inicial.

És o advento, a chegada... O reflexo do arco-íris na vidraça...

És o acontecimento dos triunfos teus.

Sou a partida, janela que se estilhaça,

...a despedida... Sou o adeus.

Luiz Morais

Brasil

Livremente inspirada na música " Resto de quem parte" de Luiz Vieira

Saiba mais…

Catarse emocional

3542040938?profile=original

Profundo corte dimensional,

escancaradas as chagas da alma

expondo a ferida emocional,

sulco profundo no dorso e palma.

Parece cortar sem uma faca,

não se dispõe à alegria;

fere fundo pontiaguda estaca

flui o sangue, drena a energia.

A dor não estaca, permanece,

alguma esperança desponta,

chorando o peito quase fenece,

talvez, esquecer fosse afronta.

 

Passam-se quase iguais os dias,

amor não tem oportunidade,

girar lento, absolutas monotonias,

refugiada num castelo de sobriedade.

A outros olhos não seriam entendidos

as razões para estar tão triste

amortecer a alma, frenar os sentidos,

fechar olhos ao que mais existe.

 

Não há agonia sem motivo aparente

absolutamente tem razão de ser

fechando-se ao sentimento latente

como infiel fosse outro proceder.

 

 

Num sonho, voar ascender acima do  chão,

ver as árvores inspirada na natureza

maravilhas ver abaixo como se num balão,

vem a desagradável sensação de voo pagão.

 

Talvez num sonho o sentir profano,

ao Jardim do Éden leve, confusa,

o futuro não se delineia, parece insano,

na mente brota tênue ideia confusa,

reluta acordar,  talvez seguir adiante,

pairando despreocupada sobre o jardim,

repleto de flores, uma fonte jorrante,

talvez não o futuro, seja na verdade o fim.

31122016

Saiba mais…

Balada dos Sonhos em tristes cânticos

 3542040650?profile=original

 

Gostaria de poder estar contigo pela manhã,

para nos sentarmos e tomarmos um café;

falarmos sobre qualquer amenidade louçã,

bate-papo comum entre um e outro canapé.

Furtivamente mirando teu olhar complacente,

compartilharmos sonhos e crenças vindouras,

não estarias sozinha, seria a noite ridente,

não pairariam as nuvens no céu ameaçadoras.

 

Gostaria de estar contigo e talvez poder dançar,

uma valsa ao luar toda envolvida em estrelas,

ouvindo na aragem da noite música a sussurrar,

apoderar-me das tuas ilusões ousando em tê-las

Envolver tua nuca, me acercar de teu rosto,

até finalmente beijar-te os lábios molhados,

sentindo o frenesi tímido no olhar já exposto,

embriagando nos aromas dos cabelos emanados.

 

Gostaria de dormir, acalentar o sonho sem fim,

acordar cativo de tuas vontades então já plenas,

agradecer aos céus pelas asas postas em mim,

que entre as nuvens tecidas me levaram amenas.

Ao abrir os olhos, afinal,  na manhã preguiçosa,

surpreender-me que não desaparecestes ultrajada;

como a compactuar com aquela noite venturosa,

estás aqui... estás comigo, dos meus beijos saciada.

 

De repente, compreender o poder ingente dos sonhos,

mais que meu devaneio ou só disparates românticos,

ler no espelho, no fundo dos olhos agora tristonhos,

que entre nós haverá somente tristes meus cânticos.

07012017

Luiz Morais

Brasil

 

Saiba mais…

Contando estrelas da cadeira na varanda

3542040721?profile=original

.

.

.



"veste-se de estrelas como em trajes de gala
e voando vai... pela noite de encontro à amada."

.
.

.

O poeta resolveu contar estrelas,

e sentou-se na cadeira de balanço;
ali da varando poderia enfim vê-las,
depois que o sol iniciasse o descanso.

Poderia passar ali uma noite insone,
na brisa noturna ouvindo canções;
lembrar-se da musa, ver-lhe o nome,
gravado entre distantes constelações.

As estrelas estariam tão brilhantes
que sequer ouviria o relógio na sala
soar as doze badaladas distantes.

Dorme o poeta e sonha... encanto de fada,
veste-se de estrelas como em trajes de gala
e voando vai... pela noite de encontro à amada.

07012017

Luiz Morais

Brasil

Saiba mais…

Balada triste do poeta amaldiçoado

3542039239?profile=original

 

A dor não passa aguilhoa fundo a alma,

o tempo amaina, mas não vai curar.

A ausência de ti, a distância acalma,

porém, no âmago o riso será um esgar.

Do sentir que um dia julguei tão ledo

ter brotado no teu peito, criado raízes,

carregarei para sempre as cicatrizes,

tormento pelo anseio que feneceu cedo.

 

Se da comiseração recuso a percepção

das estranhas marcas indeléveis do sofrer,

meu orgulho impede aceitar compaixão,

o fel deste cálice sorverei como um qualquer.

Refuto a piedade, a emoção saber-me-ia fatal,

talvez seja insensibilidade própria ou carência,  

jamais saberei se para o bem ou para o mal,

sequer questiono os ensejos da tua preferência.

 

E nada que meus versos digam algo vai mudar

mesmo que eu tudo vocifere aos quatro ventos,

cante à noite silente prateando-me as cãs o luar,

exponha a mente insana desnuda aos elementos.

Se um dia fui teu poeta, hoje um maldito serei,

incauto, débil, desde que me deixei apaixonar,

e cobarde refugio-me tal líder de funesta grei,

acalentando canções fúnebres em sinistro altar.

 

Três vezes maldito seja e para sempre imolado,

qual em ara profana, se ao peito nada mais importa.

- "- Poeta, purifica na dor o teu íntimo ora vazado,

aquela ilusão execrada resta agora também morta."

 

Do livro " Pólen de estrelas"
em preparo

 

 

Saiba mais…

Luto e lembranças de uma noite sob o luar de agosto

3542031338?profile=original

                                          Foto do pixabay [-https://pixabay.com/pt/noite-ilumina%C3%A7%C3%A3o-estrada-luz-chuva-777882/~]

.

 

Ruge o vento na rua encharcada,

gotas da chuva nas faces úmidas,

densa a névoa de pesar permeada.

 

Cabeça curvada prevendo ameaça,

o sangue lateja em veias túmidas,

prenúncios no nevoeiro além da vidraça.

 

Dor constante, um luto persistente,  

porém, a tristeza parece diminuir.

 

Apenas prevendo perigo iminente,

talvez possa o âmago da alma abrir.

 

Então, fingindo um leve sorrir,

o esgar de maior alegria incapaz.

 

Deixar-se ir, levantar a cabeça,

aguardando uma mensagem fugaz:

talvez esta noite... algo aconteça!.

 

Alvíssaras suas numa frase pequena,

traduzindo o sentimento loquaz,

reacendendo a chama ora tão amena.

 

No aguardo da palavra tanto esperada,

mesmo que aquela hora seja sempre negada.

 

Ainda que agora se mantenha assim apática,

quede-se ignorando a tudo, tão muda e estática...

 

 

Deixarei rugir o vento, a chuva fustigar-me o rosto...

 

 

Consola-me aquela noite sob o luar de agosto!

 

®Luiz Morais

Do livro " Pólen de estrelas"

em preparo

Saiba mais…

Décima do sentimento sob cinzas do passado*

3542030914?profile=original

                                                   Foto pixabay [https://pixabay.com/pt/cinzas-fogo-queimar-quente-madeira-846853/]

 

A vida poderia fluir mais agradável,

mas o sentimento não foi suficiente,

como cinzas resta apagado tristemente,

lentamente no passar do tempo implacável.

Resta dizer que esse percurso foi memorável,

essa caminhada na vida não foi fardo;

houve espaço e tempo para o cantar do bardo.

A alma guarda sentimento a ser encontrado,

mesmo esvaecido sob as cinzas do passado,

momentos felizes, nesse decurso um retardo.

Luiz Morais - Brasil

* Décima com métrica livre

Do livro " Pólen de estrelas "

em preparo

 

 

Saiba mais…

Balada do outro anjo de olhos enfumaçados

 3542023541?profile=original

Fotografia ; pixabay.com

Quando outro dos anjos de olhos enfumaçados

morbidamente vier ali entre demais entes alados

- não escondem as negras plúmulas e tetrizes,

brande a espada flamejando as ganas motrizes,

apenas deixe leda cabeça apoiada na espádua,

reconheça-se extenuada dessa lida tão árdua.

Silenciosamente deixe que se mitigue a chama,

que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

 

Se dos lampadários de ouro arde o óleo maldito,

largue as lidas terrenas sorrindo ao ora inaudito;

a alma perpetrada no carregar sórdidos grilhões,

não se valerá ela solta à custa de místicas poções;

carrega signos excomungados das ganas funestas,

arrastará padecentes as cadeias de fogo infestas.

Não se permita a memória que do Bem reclama,

que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

 

Dispa-se ora a condenada espectro dos prazeres,

jamais experimentará em contos outros afazeres,

vez outra não cultivará ardores do amor exigente

nem dos olhos das agruras se livrará impudente;

todo ouro das poesias se apagará como as flores,

espezinhadas nos lúgubres canteiros de horrores.

Esqueça resquícios de beleza que célere proclama, 

e que não se fuja da Morte aquela que ora clama.

 

Desvaneça de vez reminiscências de sonho alegre,

imersa no tédio não haverá o que a Alma celebre.

E silenciosamente deixe que obscureça a chama,

que não transcenda a Morte aquela que ora clama.

Arys G@iovani - Brasil

Saiba mais…