Houve uma vez uma primavera diferente. Havia mais brilho do que cores. Mais vento do que sons. 

Não amanhecia propriamente – a manhã emendava a madrugada. E os dias corriam, loucos por virarem noite... 

Haviam se esbarrado, trocaram algumas palavras e não sabiam porque havia ficado uma vontade de 'outra vez' ... Ambos voltavam, e se chamavam ...  

Algumas horas os separavam e nove mil mundos ! Mas se chamavam ...  E o tempo que existia era apenas aquele tempo em que juntos singravam as madrugadas. Conversavam tanto !  E riam ... Qualquer assunto valia. História, poesia. Ele conhecia muitas músicas de onde ela vivia e mostrava muitas outras a ela – algumas pareciam ter sido feitas para os dois ... 

Sobrava pouco tempo para dormirem ... ela se deitava para um pouco de descanso enquanto ele se ia, a ganhar a vida. Mas poderiam recuperar depois !  Por que perderiam esses momentos ?!... 

Às vezes conversavam até que o som dos passarinhos lembrassem da hora avançada.  E escreviam histórias a 4 mãos,  era  fascinante  como  conseguiam  completar  as  frases  e  os versos um do outro ! Viajavam pelas grandes conquistas marítimas, navegantes e nativos ; ou pelas brumas celtas, sacerdotisas e bardos ; ou pelos banquetes dos deuses ...  Ahhh  os deuses ...  às vezes rebelavam-se e questionavam os deuses por tê-los separado por nove mil mundos ... 

O filme preferido deles ?  "Nunca te vi, sempre te amei..."  Claro ... rsrs 

Às vezes ele ficava em silêncio. Ela nunca sabia se ele via suas mensagens ... Mas não desistia . Escrevia-lhe bilhetes, poemas, escolhia músicas - dizia que eram mensagens jogadas ao mar para que o alcançassem ...  E quando ele não podia mais resistir de saudade, voltava. E o rosto dela se abria num sorriso ... e o ouvia dizer que tentara mais uma vez sumir, esquecer, mas não pudera ... Precisava vê-la, ouvi-la, dizer a ela  "Ich liebe dich"   -  e ela antes nunca achara que o alemão pudesse ser tão doce de ouvir ...  rsrsrs  E quando se despediam ele jurava que iria voltar, porque sempre voltava … 

Assim passaram-se meses. Queriam-se, mas havia nove mil mundo entre eles. Precisavam viver suas vidas como pudessem. 

Com o tempo os encontros diminuíram. Porém não importava o tamanho do intervalo; quando se viam seus sentimentos tinham a mesma intensidade ! 

Ela preferia lançar suas garrafas ao mar, porque no fundo sabia que ele as encontraria. E de vez em quando encontrava uma mensagem de  "saudades" , ou um coração, ou um   "Ich liebe dich". Então suspirava e sorria para si mesma … 

Até hoje lembra-se das tempestades e quimeras nascidas naquela estranha primavera. 

E o mar sempre parece prestes a surpreendê-la com uma garrafa ... 

                                                                                                                      Waulena

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Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 21 março 2018 às 23:35

Obrigada amiga Margarida Maria !!

Bjsss Wau

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 21 março 2018 às 23:34

Amada Chantal, nesse teu lindo coração a primavera é eterna !!!

Primaveras e outonos. São como o amanhecer e o anoitecer , não acha ?...

Obrigada querida !!!

Bjssss Wau

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 21 março 2018 às 23:32

Lucia Guedes, amiga querida, obrigada pela visita e pelo carinho !

Bjsss Wau

Comentário de Waulena d'Oliveira Silva em 21 março 2018 às 23:32

Querido Amigo Elias, muito origada !!

Bjsss Wau

Comentário de MARGARIDA MARIA MADRUGA em 20 março 2018 às 11:59

Bonito conto.

No Brasil - 20 Mar 2018 - 13:14h - Inicia-se o Outono.

Comentário de Maria-José Chantal F. Dias em 20 março 2018 às 10:42

maravilhoso!!! maravilhoso teu conto,

carregado de sentimento e poesia!!!

aqui hoje entra a Primavera!!!

que nestas eras ultramodernas até apontam a hora

às 16h15m 

às vossas 13h15m!!

um coração de primavera

para teu coração primaveril querida Poetisa Waulena!

Chantal Fournet

Comentário de LUCIA GUEDES (Lufague) em 20 março 2018 às 3:27

Sensacional, seu lindo conto poético, virtual e romântico. 

Comentário de Elías Antonio Almada em 20 março 2018 às 2:06

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