abortar ou não

ABORTAR OU NÃO ABORTAR?

As divergências são profundas e não se circunscrevem aos argumentos jurídicos, morais ou de saúde pública, envolvendo também crenças religiosas. E, no Brasil, não teria como ser diferente. Aqui, vigora o Código Penal, editado em 1940, que optou pela criminalização do aborto nos seus arts. 124 a 128.

Há algum tempo, discute-se a revisão destas normas. Neste sentido, o Governo brasileiro, em louvável iniciativa, instituiu Comissão Tripartite, composta por representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e sociedade civil, destinada a repensar o posicionamento do nosso Estado sobre o aborto.

O aborto é de forma legal, permitido no Brasil em duas circunstâncias: quando a gestante corre risco de morte ou em caso de estupro.

O Senado está trabalhando numa ampliação dos casos de aborto legal da seguinte forma: inseminação artificial sem concordância; anencefalia (feto sem cérebro) ou doenças físicas e mentais graves; em caso de risco à vida da gestante; e, por vontade da gestante, até o terceiro mês (12 semanas), quando médico ou psicólogo constatar que a mulher não apresenta condições de arcar com a maternidade.

Aliás, nossa vida é assim: um mundo de provas, sonhos e expiações. Partindo, então, do princípio de que tivemos o aval Deus, há os que acham que não existe ninguém que tenha o direito de abreviar a vontade do criador. Devendo partir do princípio de que a nós como seres vivos, foi dada a oportunidade de respirar este ar que nos cerca, de sentir a brisa, de compartilhar momentos juntos dos nossos familiares e da comunidade em que vivemos, de celebrar vitórias, conquistas e até de aprender com nossas dificuldades e derrotas. Não podemos ver como uma afronta à vontade da mulher perante seu próprio corpo, quando deseja o aborto.

Para mim, é uma afronta à vida, à vida de um ser humano que está em formação e indefeso. Uma vida que está tendo a oportunidade de, mais uma vez, resgatar laços ancestrais. Aquela vida que é gerada a partir do exato instante da fecundação da célula reprodutora masculina com o óvulo feminino. “Ali, nasce um ser vivo a estrela da vida”.  Às vezes, fico me perguntando: como seria a vida se alguém tivesse decidido que eu não devesse estar aqui? Se meus pais não tivessem tido a oportunidade de me dar à chance de viver? Não consigo pensar em me ver sentindo a sensação de não ter, um dia, apertado minha filha nos braços, de ver meus irmãos, meus sobrinhos, meus semelhantes. A vida é linda e para ser vivida! De tantos abortos praticados, e que colocam a vida da mulher em xeque, além dos riscos psicológicos que envolvem a temática, ainda fica uma dúvida: por que, ao invés de decidir pelo fim daquele ser, não dar a oportunidade para que ele nasça e seja adotado legalmente por alguém que possa lhe dar e receber todo o amor que ele merece? Como se vê, a questão é mais profunda do que qualquer lei, decidida por homens que tiveram a oportunidade de ser fecundado e de nascer, como eu, de estar aqui escrevendo. Todo ser humano tem o direito à vida, independentemente da condição que pareça ter. Como leigo que sou, é que eu sou pela vida. Todos nós estamos aqui por um propósito. Nada é por acaso. Nem a vida.

“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecemOscar Niemeyer

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Comentários

  • DIAMANTE PEAPAZ

    De fato polêmico. Mas tem-se que encarar por se fazer necessário.

    Concordo com as opiniões abaixo.

    Bjssss

  • DIAMANTE PEAPAZ

    Um tema muito polêmico mesmo... Concordo com o aborto se a vida da mãe corre riscos...bjs.

  • Um tema polêmico,mas necessário vir ´a baila amigo! Parabéns pela postagem! Abraços!

  • DIAMANTE PEAPAZ

    Aceito o aborto que coloca em risco a vida da mãe e aquele realizado em crianças, quando vítimas de estupro. Para os anencéfalos, falo em eutanásia, não em aborto. Beijosssssssssssss

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