*E aí me vi na tempestade...

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E aí, me vi, vento,

(agora, quase brisa).

Fui fundo no movimento.

Temporal, ventania, tornado, 

ar agitado, a fúria dos elementos,

raios e relâmpagos riscando o breu,

paisagem dos sonhos no chão,

árvores arrancadas pelo ciclone,

flores despetaladas aos açoites do vendaval,

fios de ternura cortados,

mil desejos destelhados,

nada parado em pé.

Além do ser que caminha a meu lado,

e que eu, poeta desacorçoado, confiante, sigo.

 

Olhar perdido no horizonte, 

cato meu coração,

firmo os pés no chão e, 

qual bambu que se levanta antes da bonança,

levanto a cabeça e sigo em frente.

 

Sem róseas lentes, 

sem aquela  substância 
que dá consistência aos sonhos,

sem mais nada, além da certeza

da essëncia que há em tudo,

essëncia cósmica e divina,

que sobrevive aos temporais.

“Sin perder la ternura jamás!”

 

 

Carmen Regina*

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Comentários

  • DIAMANTE PEAPAZ

    Entregar-se à tempestade não se pode nem deve.

    Resistir à mesma se faz necessário para continuar em frente.

    Parabéns.

    Bjssss

  • PRATA PEAPAZ

    "... Olhar perdido no horizonte, 

    cato meu coração,

    firmo os pés no chão e, 

    qual bambu que se levanta antes da bonança,

    levanto a cabeça e sigo em frente.  ... "

    Arrasador poema Carmen !  Às vezes há que se deixar que tudo se desmonte para recomeçar e fazer o novo...

    Bjs. Wau

  • DIAMANTE PEAPAZ

    Para além da tempestade, há uma fé mística em teus versos. Lindo! Beijosssssssssssss

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